segunda-feira, 20 de maio de 2019

VERGONHA E HUMILHAÇÃO PÚBLICA

COMO SUPERAR A DOR DA VERGONHA E HUMILHAÇÃO PÚBLICA ?

A vergonha nos toca mais profundamente do que a culpa. A culpa pode permanecer como uma questão particular. Aprendemos a manter essas acusações a salvo do conhecimento público. No entanto, a dificuldade da vergonha nos acompanha aonde quer que vamos como um relatório de erros. A vergonha nos amarra ao passado torturante, deixando tudo à vista. A vergonha que surge dos anos de abuso físico ou sexual, ou do sofrimento solitário que emerge por causa de alguma deficiência como distúrbios da fala, ansiedade ou distúrbios alimentares, ou do tempo passado na cadeia, num hospital psiquiátrico ou numa clínica para dependentes químicos. A vergonha se torna uma voz acusadora e intermitente nas sombras da sociedade que sussura: “Você é um inútil! Você não significa nada para ninguém! Você é totalmente indigno! Você nunca vai dá para nada! Você estragou tudo! Você está acabado!”
A vergonha penetra e vai mais fundo do que o constrangimento; corta mais profundamente do que a decepção. As suas cicatrizes são feias e quase sempre permanentes. Como a pior forma de ódio por si mesmo, a vergonha faz com que muitos se escondam num tipo de morte em vida, que finalmente termina em suicídio.
A vergonha deixa uma jovem mãe acorrentada emocionalmente num passado traumático por causa da violência física sofrida nas mãos do pai alcoólatra. A vergonha assombra uma mulher de meia idade que é forçada por outros a seguir em frente depois do adultério do marido seguido de divórcio. A vergonha investe com violência contra um adolescente perdido num mundo de confusão e reclusão causado por sua incapacidade de aprender com a facilidade que seus colegas aprendem.
A vergonha impede uma criança que nasceu com uma deformidade ou deficiência de experimentar as alegrias das férias ou de uma excursão.
Contudo esse desespero sem fim não precisa ser o nosso destino indefinidamente. As cicatrizes não precisam ser permanentes. Jesus deseja nos encontrar nesses lugares sombríos e nos colocar num lugar seguro redimindo a nossa dignidade e o nosso valor. Sua misericórdia é maior do que a nossa vergonha. Onde abundou o pecado, superabundou a graça! Jesus se torna o nosso amparo pessoal da vergonha, que caminha conosco nos dias difíceis cheios de agonia quando nos sentimos mais solitários e amedrontados. Como Ele pode fazer isso? Lembre-se, Ele já passou por isso. Ele sentiu as dores da humilhação e falta de dignidade. Na verdade, não há limite para a profundidade da vergonha que ele pode nos ajudar a superar, porque não há limite para a misericórdia que Ele é capaz de nos suprir.
Viaje comigo de volta a uma cena no primeiro século. Jesus confronta uma mulher triste e humilhada, pega na mais vergonhosa das circunstâncias. Podemos ver quando Ele a resgata das poderosas garras da vergonha.
Uma mulher sem nome é o centro de uma das cenas mais pungente de todo o Novo Testamento. Em meio ao seu pecado, ela se encontra com Jesus, o Salvador do mundo. Ela presumiu que as suas acções feitas no escuro nunca seriam conhecidas na luz. Ela possuía um pecado vergonhoso e secreto. Certo dia, ela ficou cara a cara com Jesus, o Cordeiro de Deus imaculado, cujo olhar penetrante esquadrinhou a sua desgraça.
De repente, um grupo de escribas e fariseus com semblantes descontentes interrompem Jesus, arrastando uma mulher em direcção ao pátio. As pessoas devem ter ficado surpresas sem conseguirem crer naquela cena terrível. Jesus ficou de pé e encarou o grupo de clérigos hipócritas e a sua prisioneira humilhada sendo arrastada.
A mulher, deve ter ficado parada ali tremendo como um cachorro que acabou de apanhar, muda de medo, ela olhava para o chão, seu cabelo despenteado, roupas rasgadas. A vergonha estava estampada em sua face.
Os líderes religiosos dirigiram-se a Jesus. “Mestre, esta mulher foi pega em flagrante adultério. Pela Lei de Moisés somos obrigados a apedrejá-la. O que tem a dizer? (João 8:1-11.)
O Mishnah, o livro do judaísmo de tradições religiosas, não poupava palavras. Ele ordenava que um homem pego em adultério deveria ser amarrado pelo pescoço com uma toalha por baixo da corda para que não ferisse sua pele e pendurado até os joelhos em excremento animal. Uma mulher pega em adultério enfrentava o apedrejamento público. Moisés escreveu que, se o ato ocorresse na cidade, tanto o homem quanto a mulher deveriam ser apedrejados. Essa mulher da história era culpada? Absolutamente sim. Ao que tudo indicava eles a pegaram no ato sexual. A palavra grega para “surpreender” significa literalmente “pegar”, sugerindo que seus acusadores a pegaram em flagrante ato de adultério e a prenderam enquanto ainda estava na cama com seu parceiro. Mas e o homem? Ele escapou? Provavelmente não, já que os líderes religiosos eram em um número muito superior. Desconfio que ele era um deles, que foi envolvido de propósito. Uma conspiração não é algo fora de cogitação já que conhecemos a maldade do coração dos acusadores.
A trémula mulher desalinhada, humilhada perante todos, não era nada mais do que uma isca para causar um evento maior. Eles tinham Jesus em vista. Eles não davam a mínima para a mulher ou seu futuro. Naquele momento, ela não significava nada para eles ou para qualquer outra pessoa no que dizia respeito ao assunto – excepto para Jesus.
O texto bíblico diz: “E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão”.
A única vez que as Escrituras falam que Jesus escreveu alguma coisa, foi nessa cena. Mas o que Ele escreveu? Há alguns que acreditam que Jesus rabiscou algumas coisas na areia enquanto ponderava. Talvez Ele tenha escrito algo “contra” eles. Será que Jesus se inclinou e começou a escrever os pecados dos acusadores da mulher em letras grandes o suficiente para que eles pudessem ler? Pare e imagine a cena dos acusadores lendo os seus próprios pecados na areia. Não podemos dizer ao certo que foi isso o que aconteceu, mas se foi, imagine a surpresa daqueles homens.
Olhando para o rosto daqueles homens, Cristo vê o passado de cada um no fundo de um poço de memória e consciência. Ele olha para dentro do seu coração e o dedo em movimento escreve… Idólatra… Mentiroso… Bêbado… Assassino… Adúltero…
O silêncio foi quebrado pelas palavras de Jesus. Embora permaneça a dúvida sobre o que exactamente Ele escreveu na areia, o que Ele disse tem um significado muito claro. Enquanto os escribas e fariseus franziam a testa e olhavam fixamente para Jesus, João diz que Ele se levantou e lhes disse: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.” (v.7.) Que choque! Aquela resposta incisiva os golpeou como um soco na cara. Há um som de pedra após pedra caindo ao chão. Não sobraram muitos fariseus. Um por um, eles saíram esquivando-se nas ruas cheias, sumindo na multidão.
Pode imaginar tal cena? Consegue ouvir o baque das pedras caindo no chão? Consegue sentir a humilhação daqueles que foram embora? O apóstolo João escreve: “Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava.” (v. 9-)
Você não teria dado tudo para fazer parte dessa lição naquela manhã? Após dispensar os acusadores, Jesus olhou dentro dos olhos da mulher que estava cheia de vergonha pela exposição e condenação. Como se não bastasse, lá estava ela, perante o justo Juiz do Universo, culpada de adultério, tendo quebrado a santa lei de Deus. Quando os seus olhos encontraram o olhar do Salvador imaculado, precisamos perceber que não houve na história um contraste tão grande de carácter: uma mulher… um homem; uma pecadora… o Filho de Deus sem pecado; a adúltera coberta de vergonha… o Santo do céu. Imagine isso! Nunca duas pessoas tão diferentes estiveram tão próximas.
Isso é que faz do diálogo final entre eles algo tão profundo. É aqui que a graça cobre a vergonha.
“Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.” (v 10-11.)
A única pessoa na Terra que poderia condenar a mulher recusou-se a fazê-lo. Ao invés disso, Ele a libertou. Será que foi a primeira vez que ela própria parou de se condenar? É isso o que Jesus faz por nós numa situação humilhante de vergonha – Ele nos livra da auto-condenação quando nos liberta. Livres enfim!
Há momentos em que desejaria ter uma varinha de condão para tirar o peso da vergonha daqueles que sofrem com ela, dizendo: “Vergonha, vá embora!” Mas isso não funciona assim. Entretanto o que Jesus fez por aquela mulher sofrida naquela manhã há tantos séculos, Ele quer fazer por você também. As coisas não acontecem instantaneamente, mas tendo a oportunidade de intervir e trazer alívio (como Ele fez com a mulher naquela manhã), Jesus pode fazer uma diferença profunda!
Dois pensamentos me vêm à mente enquanto termino esta mensagem sobre a vergonha. Eis duas afirmações simples que espero ajudá-lo em sua luta para esquecer as memórias dolorosas e os pensamentos vergonhosos.
“Primeiro, aqueles que estão menos aptos a condenar você, o farão”.
Pode ter a certeza disso. Aqueles com o coração mais pesado do que as pedras que seguram serão os primeiros que as atirarão. Fique longe dos fariseus actuais, que amam expor o seu pecado e esfregar o seu nariz em sua vergonha. Tenha a certeza de que está bem longe daqueles que jogariam pedras de justiça própria em você.
“Segundo, aquele que está mais apto a condená-lo, não o fará”.
Você pode ter certeza disso também. Fique próximo dele. Perto dele, você vai descobrir que pode recuperar-se mais rápido. Aproxime-se e confesse o seu pecado àquele que está apto a condená-lo, mas não o faz. E como aquela mulher, você será capaz de ir em frente e aproveitar a sua nova liberdade e o propósito para viver.
Do que você precisa para chegar a esse momento de definição? Não dê muita importância a seu pecado, nem por um minuto. O meu e o seu pecado pregaram Jesus na cruz. Os nossos pecados separaram até mesmo o Filho de Deus da comunhão íntima com o Pai. O nosso fracasso e a nossa vergonha enfiaram estacas em suas mãos e seus pés. Sua vergonha e a minha costuraram a vida de Jesus. Mesmo assim, a Bíblia proclama: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Coríntíos 5:21.)
Em outras palavras, Ele tomou o nosso lugar na bendita cruz! Naquele bendito sepulcro! Vamos encarar os fatos. Há e haverá momentos em nossa vida nos quais seremos “pegos em flagrante”. Pode não ser adultério, mas outra coisa qualquer. É pecado do mesmo jeito. Mas por causa de Jesus, não precisamos viver a auto-condenação e a vergonha debilitante. As palavras do Senhor Jesus para você na dificuldade da vergonha são as mesmas do passado: “Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais”. Isso significa que você está livre.
Se você está lendo isto e sentindo o peso do seu próprio passado vergonhoso e estilo de vida pecaminoso, eu o convido para ir agora mesmo aos pés de Jesus. Ele é o único que está perfeitamente apto a julgá-lo e condená-lo, mas por causa da sua morte, Ele está pronto para perdoá-lo e libertá-lo. Seu convite para a liberdade exige uma resposta. Não é algo automático. Para ser liberto dos grilhões da vergonha você precisa ir ao precipício da cruz e reconhecer a sua necessidade de redenção. Ele estará esperando por você para purificá-lo e torná-lo completo.
“Você está cansado? Exausto? Desgastado com a religião? Venha a mim. Corra para mim e você terá a sua vida de volta. Vou mostrar-lhe como ter descanso de verdade. Ande comigo e trabalhe comigo. Não vou depositar nada pesado ou inadequado sobre você. Permaneça em minha companhia e você aprenderá a viver livre e leve.” (Mateus 11:28-30, bíblia a mensagem)